Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (42/362)

Há muito tempo, ensaiava uma parceria com o Hotel Ponta de Inhambupe, hotel boutique super renomado em Baixio, na Bahia. Seria um dos recantos mais inesperados que já fui!

Após meses de planejamento, chegou a hora de arrumar as malas e partir para o Ponta de Inhambupe. Não seria uma viagem comum, minha família estava comigo, recebi esse privilégio de levá-los para aproveitarem as férias enquanto realizava os trabalhos de fotos e filmes desse paraíso.

Fachada do Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe iluminada à noite com luzes quentes e aconchegantes, Baixio, Bahia

Chegamos à noite, e já nos foi revelado todo o charme da recepção, luzes quentes e aconchegantes nos abraçam em meio à noite de lua crescente. O clima estava muito agradável, por volta dos 24 graus, a primeira coisa que fiz foi pedir um café!

Esperamos o pessoal realizar o check-in e fomos ao nosso quarto. Uma vista linda da piscina e do mar nos aguardava, tudo hiper organizado, impecável, não temos o que dizer em relação à acomodação. O quarto exalava um perfume único e marcante, tudo pronto, as crianças ficaram super empolgadas para explorarem tudo! Uma chegada perfeita. Ficamos hiper felizes com nossa recepção.

Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (314/362)
Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (315/362)

Onde o mundo desacelera

Existe um instante, quando você chega em Baixio, em que percebe que deixou alguma coisa pra trás na estrada. Não é só a cidade — é a pressa, o barulho, aquele peso invisível que a gente carrega sem nem notar. Baixio tira isso de você com uma delicadeza quase mágica.

Praia praticamente deserta de Baixio vista do alto, com coqueiros e mar da Costa dos Coqueiros, Bahia

Pra quem nunca ouviu falar, é um povoado do município de Esplanada, na Costa dos Coqueiros, litoral norte da Bahia, a uns 120 km de Salvador. Mas número nenhum explica o que é aquilo. São quase 14 km de praia praticamente deserta, onde muitas vezes as únicas pegadas na areia eram as nossas. Dunas de areia branca que reluzem ao sol, manguezais que guardam uma vida secreta, restinga, e cinco lagoas de água tão cristalina que parecem irreais. É um Brasil que a gente achava que já não existia mais.

Encontro das águas na Ponta de Inhambupe, banco de areia entre o rio e o mar, Baixio, Bahia

E o nome do hotel não é enfeite. Bem ali, onde a terra se afina e encontra o Atlântico, está a Ponta de Inhambupe — o ponto exato em que a água doce do Rio Inhambupe abraça a água salgada do mar. Guarde esse nome. Ele é o coração dessa história, e volta mais pra frente.

O Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe é do Grupo Prima e operado pela Slaviero Hotéis. E logo entendi o que faz um hotel boutique ser boutique: não é o luxo pelo luxo, é a intenção. É perceber que alguém pensou em cada detalhe pensando em como você iria se sentir. A luz certa na hora certa. O perfume que te recebe na porta. O silêncio como parte do serviço. Aqui, o luxo é o cuidado.

A suíte e os detalhes que encantam

Foi na luz do dia seguinte que a gente entendeu de verdade onde estava hospedado. A suíte respirava a mesma alma do lugar: madeira, tons de terra e areia, a ventilação pensada pra deixar a brisa entrar, e aquela vista pra piscina e pro mar que valia acordar cedo só pra ver.

Detalhes da suíte e do banheiro do Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe, Baixio, Bahia

Mas o que me ganhou mesmo foram os detalhes pequenos — porque é aí que mora a alma de um hotel boutique. Os amenities eram inspirados na própria terra: o shampoo de coco, com aquele cheiro que já é a Bahia em forma de perfume, transformava um banho comum numa lembrança sensorial. Toda vez que eu abria aquele frasco, era como se o hotel me dissesse de novo: relaxa, você está em casa. As meninas amaram cada cantinho, exploraram tudo, abriram cada gaveta, testaram cada interruptor — e a Cicinha, que repara em tudo, ficou encantada com o capricho da arrumação, o enxoval, o perfume dos lençóis. Nada ali era por acaso.

O primeiro amanhecer

Acordei antes de todo mundo, como sempre. Aquela mania de fotógrafo de não querer perder a primeira luz do dia — mas confesso que, naquela manhã, não foi o trabalho que me tirou da cama. Foi a vontade de ver.

Vista da piscina e do mar a partir da suíte do Hotel Ponta de Inhambupe ao amanhecer, Baixio, Bahia
Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (337/362)

Abri a cortina do quarto devagar, quase com medo de quebrar o encanto, e a Bahia me devolveu um daqueles amanheceres que a gente guarda pra vida inteira: o mar num azul ainda sonolento, a piscina espelhando o céu rosado, os coqueiros recortados contra a primeira luz como se posassem só pra mim. E aquele silêncio bom, cheio, feito de canto de pássaro e vento, desses que a cidade grande já esqueceu como se faz.

Cicinha ainda dormia, a Mel enroscada nela, e a Marina foi a primeira a acordar comigo. Ficamos os dois na varanda, sem falar nada, só olhando. E ali, com a minha filha do lado e o dia nascendo na nossa frente, uma coisa apertou bom no peito. Entendi que os próximos 16 dias não seriam sobre fazer, seriam sobre estar. Tempo pra estar junto. Tempo pra sentir. Tempo pra viver devagar — e que privilégio raro é esse nos dias de hoje.

O café da manhã que virou ritual

Tem café da manhã, e tem o café da manhã do Ponta de Inhambupe. Esse merece um capítulo só, porque não é uma refeição — é uma cerimônia de bem-viver.

Café da manhã servido na varanda do restaurante Cambuí Gastronomia, Hotel Ponta de Inhambupe, Baixio, Bahia
Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (212/362)

É servido no restaurante Cambuí Gastronomia, num salão que se abre pra uma varanda de tirar o fôlego, com a piscina, os coqueirais e o mar de Baixio ali na sua frente. A arquitetura foi desenhada em madeira e materiais naturais, com a ventilação pensada pra que o vento entre livre — então a brisa te toca o rosto, os pássaros cantam, e você percebe que a trilha sonora principal é a própria natureza. Eles chamam essa filosofia de slow living, e nunca uma expressão fez tanto sentido.

Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (214/362)

Mal a gente sentava e vinha o ritual do Oshibori — aquelas toalhinhas frias, perfumadas, pra refrescar as mãos — junto de um coco fresco geladinho. Um gesto pequeno, mas que diz tudo: aqui, você é esperado, você é cuidado. E então a mesa se transformava num pequeno espetáculo dos sentidos. O aroma do café passado na hora se misturando ao cheiro de pão assando e de flores frescas. Pães de fermentação natural feitos na casa, tapiocas preparadas na hora, bolos caseiros ainda mornos, cuscuz com queijo coalho, sucos funcionais com frutas nativas da Bahia. E o que mais me tocou: boa parte de tudo aquilo vem de pequenos produtores da própria Baixio — os queijos artesanais, os pescados, as frutas. Você não está só comendo bem. Você está provando o lugar, sustentando a gente da terra, fazendo parte.

Tomei mais de um café, claro — sempre. As meninas se acabaram nas frutas e nos bolos, e a Cicinha, com aquele sorriso tranquilo de manhã sem hora pra acabar, me olhou e disse que aquele café da manhã já tinha valido a viagem inteira. E olha que a gente ainda tinha duas semanas pela frente!

O coração do hotel: a área de lazer

Piscina principal do Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe com coqueiros e mar ao fundo, Baixio, Bahia
Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (254/362)

Se o café da manhã abria o dia, era na área de lazer que a nossa família se encontrava o resto do tempo. E que área! A piscina principal é daquelas de ficar horas, com a borda se confundindo com a paisagem e o mar logo atrás. Mas o que salvou muitos dos nossos dias foi a piscina infantil: um espaço pensado pras crianças, raso, seguro, onde a Mel podia brincar à vontade enquanto a gente relaxava por perto sem aquela preocupação no coração. Ver ela chapinhando feliz, gritando “olha, papai!” a cada dois minutos, não tem preço.

Academia equipada do Hotel Ponta de Inhambupe com vista para o jardim, Baixio, Bahia
Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (242/362)

E teve uma surpresa que virou paixão: a academia do hotel. A Cicinha, que gosta de manter a rotina mesmo de férias, se apaixonou. Equipada, arejada, com aquela sensação de treinar num lugar que cuida de cada detalhe — ela saía de lá renovada, de bem com o corpo e com a viagem. Confesso que a puxação de treino dela ainda me arrastou pra lá algumas vezes, e não me arrependi!

Espetinhos e camarão crocante servidos no Bar da Piscina do Hotel Ponta de Inhambupe, Baixio, Bahia
Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (112/362)
Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (155/362)

Depois do mergulho, a gente rendia a tarde no Bar da Piscina, conectado à piscina e ao jardim. Bebida gelada na mão, e aqueles petiscos que arrancam suspiro. Os espetinhos de camarão viraram tradição da casa pra gente — camarão suculento, no ponto certo, daqueles de pedir “mais uma rodada, por favor”. As meninas beliscando, a Cicinha do meu lado, o sol quente, a água à vista. Momento simples de férias de verdade, desses que a gente nem percebe que estão virando as melhores lembranças.

Um paraíso que também era o meu trabalho

Passei aqueles dias vivendo um dilema delicioso: onde termina o pai de família e começa o fotógrafo? A verdade é que num lugar assim os dois se confundem, e ainda bem.

Enquanto eu percorria os cantos do hotel com a câmera — a gastronomia, os drinks, a arquitetura que conversa com a natureza sem gritar —, eu não estava só trabalhando. Estava tentando capturar uma coisa quase impossível de fotografar: a sensação. A maneira como a luz do fim de tarde escorre pela madeira. Como a pedra, o vento e a água parecem ter combinado de viver juntos ali. Cada clique era, no fundo, uma tentativa de guardar aquele sentimento pra sempre. E o melhor de tudo era saber que, do outro lado da lente, a Cicinha e as meninas estavam ali por perto, aproveitando cada minuto. Trabalhar rodeado de quem eu amo, nesse cenário — não existe presente maior.

As nossas aventuras

Com 16 dias, deu tempo de conhecer Baixio e a região sem pressa, do jeito que a gente gosta: deixando cada passeio respirar. E aqui vai o crédito de quem merece — quase tudo é operado pela Baixio Turismo, a parceira do hotel, com guias que conhecem cada palmo daquela natureza e falam dela com um orgulho que emociona.

As lagoas e a aventura de 4×4 até elas

Portão de entrada da trilha para o passeio de 4x4 rumo às lagoas de Baixio, Bahia
Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (340/362)

De todos os passeios, as lagoas talvez tenham sido a maior surpresa da viagem — e chegar até elas já era metade da aventura. A gente subiu num 4×4 e partiu, e ali começou a diversão: o carro balançando pelas estradas de areia, subindo e descendo dunas, a poeira levantando, o vento na cara, as meninas gritando de empolgação a cada solavanco como se estivessem num brinquedo de parque. Do alto das dunas, o cenário se abria — areias brancas até onde a vista alcança, coqueiros, e lá longe o azul do mar. Eu segurava a câmera de um lado e a alegria do outro, sem saber pra onde olhar primeiro.

Lagoa Azul de águas cristalinas cercada por dunas de areia branca em Baixio, Bahia — fotografia por Paulo Bezerra de Melo
Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (134/362)

E então, no meio daquela imensidão de areia, apareciam elas. São cinco lagoas perenes — que nunca secam —, alimentadas por 14 nascentes que brotam da própria terra. A Lagoa Azul é um espetáculo à parte: cercada de dunas branquíssimas, com uma água que muda de tom conforme o sol, ora turquesa, ora num azul profundo de tirar o fôlego. A Lagoa da Panela tem aquele espelho d’água calmo, sereno, que reflete o céu inteiro. E a Lagoa Verde, de águas cristalinas esverdeadas, parece coisa de pintura, cor que a gente jura que não existe até ver com os próprios olhos.

Rede estendida sobre a água cristalina de uma das lagoas de Baixio, Bahia

A água é doce, morna, macia — dá vontade de nunca sair. E a gente não saía. Entrava devagar, se deitava numa rede molhada estendida sobre a água e deixava o tempo simplesmente parar. As meninas se aventuraram no stand up paddle, caíam, riam, subiam de novo, insistiam. A Mel se dependurava no meu pescoço, a Marina desafiava a Cicinha pra ver quem se equilibrava mais. E eu, no meio daquele cenário quase irreal, pensei que felicidade de verdade é isso: coisa simples, gente amada, e natureza inteira ao redor. Voltamos daquele dia com a pele salgada de mar e doce de lagoa, exaustos e completos.

A Rota do Mel e as abelhas sem ferrão

Favo de mel de abelhas nativas sem ferrão uruçu-nordestina na Rota do Mel, Baixio, Bahia

Outra aventura que mexeu demais com as meninas — e comigo — foi a Rota do Mel, também num safári 4×4 emocionante. A gente sobe sentindo a poeira e a expectativa até o alto do Morro da Vista, onde o mirante entrega uma vista que faz todo mundo calar por um segundo. Dali, seguimos pro meliponário, pra conhecer de perto as abelhas nativas sem ferrão — aqui é a espécie uruçu-nordestina, cujo mel é leve, raro, quase floral.

E foi ali que aconteceu um daqueles momentos que a gente guarda pra sempre: a Mel, de olhos arregalados, observando as abelhinhas de pertinho sem nenhum medo, e a Marina disparando mil perguntas, genuinamente encantada. Provamos o mel direto da colmeia, morninho, um sabor diferente de tudo que já tínhamos experimentado na vida. E, como se não bastasse, o passeio ainda termina com um mergulho na Lagoa Azul. Voltamos dali em silêncio — daquele silêncio cheio de quem viveu algo bonito demais pra colocar em palavras.

O mangue e o silêncio do rio

Manguezal da foz do Rio Inhambupe visto do alto, Baixio, Bahia

Um dia inteiro foi pro passeio de barco pelo Rio Inhambupe. Da foz do rio nascem mais de 6 km de manguezais, e navegar por ali por cerca de uma hora é entrar num mundo à parte — um lugar antigo, cheio de vida escondida, onde a água fica espelhada e o barulho do motor some no meio do verde. Pra mim, fotógrafo, aquele mangue foi um presente: a luz filtrando entre as raízes, os tons infinitos de verde, uma garça alçando voo. Mas mais do que as fotos, ficou a sensação de reverência. O mangue tem uma quietude que impõe respeito, e a gente atravessou aquilo quase sussurrando, como quem entra num lugar sagrado.

O encontro do rio com o mar

Encontro do Rio Inhambupe com o mar na Ponta de Inhambupe, Baixio, Bahia

E então chegou o momento mais especial de todos: o banho na Ponta de Inhambupe, exatamente onde a água doce do rio encontra a água salgada do mar. Não sei explicar direito, mas aquele lugar tem uma energia diferente — talvez seja o encontro das águas, talvez seja a beleza absurda dos coqueiros contra o sol baixando, talvez seja tudo junto.

Ficamos os quatro ali, de mãos dadas, sentindo a correnteza morna do rio de um lado e o frescor do mar do outro, rindo à toa, a Mel gritando de alegria, a Marina tentando se equilibrar, a Cicinha com aquele olhar de quem estava plena. E eu, no meio das minhas três meninas, olhei em volta e senti aquela certeza rara: é aqui, é agora, é isso. A vida acertou em cheio. Não à toa é essa paisagem que dá nome ao hotel — porque quem viveu esse encontro nunca mais esquece.

O acarajé e a alma de Baixio

E como não poderia faltar na Bahia, comemos acarajé! De verdade, do jeito baiano, com aquele dendê quente que só quem é da terra sabe fazer, o casquinho crocante por fora e macio por dentro. A Cicinha é apaixonada, e eu não fico atrás — comemos de frente pro mar, nos lambuzando e rindo, felizes que nem criança.

Igrejinha branca e azul da vila de Baixio, Costa dos Coqueiros, Bahia

Aproveitamos também pra andar pela vila de Baixio, sem roteiro, só nos deixando levar. Conhecemos um pouco do artesanato, trocamos dois dedos de prosa com os moradores, sentimos o ritmo lento e generoso daquela gente de sorriso fácil. Porque Baixio não é só paisagem — é gente. E é impossível ir embora sem levar um pedaço dessa hospitalidade grudada no coração.

Um dia só delas no Spa

Detalhe do Spa do Hotel Ponta de Inhambupe com vela e flor sobre a toalha, Baixio, Bahia

Teve um dia que foi delas, só delas. Enquanto eu adiantava alguns trabalhos, a Cicinha, a Marina e a Mel se entregaram a um dia no Spa do hotel. Voltaram outras pessoas — leves, renovadas, com aquele brilho de quem foi cuidado com carinho, contando cada detalhe da experiência.

Momento de relaxamento no Spa do Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe, Baixio, Bahia

E eu, olhando pra elas, pensei que é exatamente pra isso que a gente trabalha tanto. Ver a minha esposa e as minhas filhas relaxadas, mimadas, sorrindo à toa — isso não cabe em nenhuma foto que eu tire, em nenhum portfólio. É o tipo de imagem que fica gravada só no peito. Elas mereciam demais. Todo mundo merece parar assim, de vez em quando.

Os sabores do Cambuí

De volta ao hotel, os jantares no Cambuí Gastronomia eram sempre um ponto alto do dia. O nome vem do cambuí, uma plantinha exótica e rústica típica de Baixio, de frutinhos adocicados — e a cozinha é assim, uma homenagem à terra. Contemporânea, delicada, com nuances regionais, e boa parte dos ingredientes vindos da própria horta orgânica do hotel.

Moqueca servida na panela de barro no restaurante Cambuí Gastronomia, Hotel Ponta de Inhambupe, Baixio, Bahia
Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (54/362)

O carro-chefe da casa é o Camarão Ponta de Inhambupe, servido com arroz de coco fita e queijo coalho tostado — e eu garanto, a gente repetiu sem cerimônia. Mas quem roubou a cena numa das noites foi a moqueca: aquela panela de barro chegando ainda fervendo à mesa, o cheiro do dendê e do coentro subindo, o peixe macio nadando no leite de coco, o pirão pra acompanhar. Comida que aquece a alma, dessas que a gente come devagar de tanto querer aproveitar. A Cicinha, de paladar baiano exigente, aprovou de olhos fechados.

Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe by Slaviero Hotéis, Praia do Baixio, Bahia — fotografia de hotelaria por Paulo Bezerra de Melo (204/362)

E as sobremesas, meu Deus! Depois de um jantar desses a gente jurava que não ia conseguir, mas sempre conseguia. Doces que casavam o melhor da Bahia com um toque contemporâneo — frutas tropicais, cocada, aquele quê de coco que está em tudo por aqui, apresentados com um capricho de dar pena de estragar. As meninas brigavam pela última colherada, e eu, claro, sempre cedia. Frutos do mar fresquíssimos, pratos tão bem montados que davam quase pena de desmanchar — mas a gente desmanchava, e desmanchava feliz.

As noites em Baixio

Piscina iluminada à noite no Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe, Baixio, Bahia

Se os dias em Baixio são de aventura e sol, as noites têm um encanto todo próprio — mais quieto, mais íntimo. Cai a tarde, o céu se esvazia de luz e se enche de estrelas, dessas que a cidade grande nunca deixa a gente ver. O som que sobra é o do mar quebrando ao longe e o vento passando pelos coqueiros. É uma escuridão gostosa, sem pressa, que convida a jantar devagar e conversar bastante.

Numa dessas noites, saímos pra jantar no restaurante Beija-Flor, da Pousada Aldeola — a pousada irmã, ali pertinho, também operada pela Slaviero, de frente pro mar de Baixio. E foi uma noite pra guardar. A especialidade da casa é a moqueca, mas quem ditou a vontade daquela noite foram as pizzas, famosas na região inteira. E olha, fizeram por merecer a fama: massa no ponto, borda crocante, ingredientes fresquinhos, aquela pizza feita com carinho que chega quente à mesa. A Mel e a Marina se acabaram — porque criança, no fim das contas, ama uma pizza em qualquer paraíso do mundo! A Cicinha e eu ainda beliscamos os sabores mais regionais, e entre uma fatia e outra a gente ria à toa.

Foi uma noite simples e perfeita: a família reunida numa mesa à beira-mar, a brisa morna, a comida boa, o riso fácil. Dessas noites que a gente nem quer que acabem, e que continuam quentes na memória muito tempo depois.

O que a gente leva de Baixio

Dezesseis dias passaram voando, como sempre acontece com as coisas boas — e essa foi das melhores. Fotografei um paraíso, é verdade, e saí de lá com um material que me enche de orgulho. Mas se você me perguntar o que eu realmente trouxe de Baixio, não vai estar em nenhum cartão de memória.

Barco na praia ao entardecer na Ponta de Inhambupe, Baixio, Bahia

Trouxe o riso da Mel na piscina infantil e no encontro do rio com o mar. O gosto do mel morno direto da colmeia na boca das minhas filhas. Os cafés da manhã sem hora no Cambuí, com a brisa entrando pela varanda. Os espetinhos de camarão à beira da piscina, os pores do sol de mãos dadas, o cheiro do shampoo de coco que ainda hoje me leva de volta pra lá. O olhar tranquilo da Cicinha, que eu não via assim havia tempo, saindo renovada da academia ou do spa. Trouxe a certeza, rara e preciosa, de que a gente esteve completamente presente — juntos, inteiros, felizes.

Baixio foi, de fato, um encontro com a paz. E o Hotel Boutique & Spa Ponta de Inhambupe foi muito mais que um cenário: foi o abraço que emoldurou essa história que a nossa família vai carregar pra sempre.

Voltaremos. Disso eu tenho certeza. Porque tem lugar que a gente visita — e tem lugar que fica morando na gente.